A presença de Jeitosinha - Cap. XVI

Data: 30/novembro/2008por KelCategoria: Novela 4 clicks


Bruno havia bebido a tarde inteira, buscando no álcool a coragem necessária para por a prova sua masculinidade. Por isso mesmo, a imagem de Jeitosinha, naquele bordel de luxo, observando-o em pleno ato de amor com um travesti, pareceu uma alucinação ou um sonho.

- Amor… Não é nada disso que você está pensando! Disse o rapaz, sem muita inspiração.

Depois, recuperando a sobriedade, foi tomado por um tipo diferente de perplexidade.

- Mas… Espera aí… O que você está fazendo aqui? Perguntou Bruno à sua amada, enquanto a prostituta, prevendo o barraco, saia de fininho.

Cheia de revolta, Jeitosinha disse a primeira coisa que lhe ocorreu para ferir Bruno:

- O que lhe parece? Pelo visto você prefere as morenas… Mas, nós as loiras somos boas demais na arte de enlouquecer os homens…

- Não pode ser, meu amor… Diga que é um sonho… Belisca-me para eu sentir dor e acordar!

- Depois do que eu vi pela fresta da porta, tem certeza de que não tem nada doendo aí? Alfinetou jeitosinha, cheia de ironia.

- Não! Você não! Não pode ser! Não pode ser!

Bruno puxava os próprios cabelos com violência e rolava pelo chão num desespero patético.

Jeitosinha apenas jogou os cabelos longos para o lado, com aquele gesto superior com que as loiras costumam descartar os simples mortais, e retirou-se do ambiente. Seu coração por dentro estava em frangalhos, mas o que Bruno viu foi à imagem de uma mulher fria.

Com passos precisos e a elegância de um modelo, Jeitosinha atravessou o corredor e voltou ao escritório de Madame Mary. Lá dentro, tombou de joelhos e começou a chorar.

- Não pode ser, Madame Mary… Meu amado Bruno… Um homem tão puro e íntegro… Aqui! Com aquela… Aquela…

A certeza de que não era tão diferente da exótica morena impedia Jeitosinha de achar a palavra certa.

- Os homens são todos iguais, minha criança.

Disse Mary, acariciando a loira.

- Uns animais capazes de qualquer coisa por um momento de luxúria. Eles nunca saberão o que é o amor verdadeiro. É justamente isso que torna tão fascinante a nossa arte de sedução…

Jeitosinha levantou os olhos e, agarrando-se as pernas da misteriosa mulher, implorou:

- Ajude-me, Madame! Ajude-me a ser como você!

- Claro, querida… Claro…

Madame Mary sabia que tinha nas mãos um diamante em estado bruto. Um diamante pronto para ser lapidado na dor de um coração partido.

O que seria feito deste diamante: um broche ou um anel? Amanhã tem mais Jeitosinha. Neste mesmo horario, neste mesmo endereço.

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